No dia 2 de maio, no
âmbito da comemoração da Revolução do 25 de Abril, o poeta José da Silva
Guerreiro partilhou experiências de vida com cerca de sessenta jovens da nossa
escola. Nascido em 1934, numa aldeia de Odemira “na casa mais mísera daquela
pobre terra”, filho de gente humilde, estava destinado, como os outros, a
guardar animais no campo. Não fosse a sua insistência junto da professora
primária e seria esse mesmo o seu destino. Assim, aos sete anos entrou para a
escola, um pouco contra vontade da professora que lhe disse que “para guardar
porcos não era necessário frequentar as aulas”, argumento contestado por José
Guerreiro, pois “ queria aprender para poder contar o gado”.
Os três primeiros anos de
escola primária foram feitos com grande entusiasmo. Para conseguir sobreviver,
pedia pelas ruas. Órfão de pai, foi obrigado a abandonar a escola aos dez anos,
para prestar ajuda à mãe. Trabalhou em Faro, como carvoeiro e mais tarde
ingressou no ramo da hotelaria, o que lhe permitiu finalizar o ensino primário.
A sua vontade de singrar na vida levou-o a terminar a sua carreira profissional
como diretor hoteleiro do Hotel Eva, em Faro.
Ao longo da sua vida
desenvolveu ação e trabalho cívico e político. Paralelamente dedicou-se à
atividade cultural, com maior incidência na poesia e no teatro.
A sua história de vida
foi ouvida por várias turmas do nono ano e dos Cursos de Educação e Formação com
grande admiração e entusiamo. Numa época em que ouvimos falar de tantas
dificuldades, a história de José Guerreiro vem lembrar-nos que com persistência
e vontade é possível vencer todos os obstáculos e desenhar uma história de
sucesso.
Os docentes e alunos
desta Escola agradecem a boa vontade do Sr. José Guerreiro e a disponibilidade
da Associação de Pais e Encarregados de Educação, sem a qual não teria sido
possível este encontro.






